
Seus olhos não conseguiam acreditar na altura dos edifícios e ele mal conseguia acompanhar
o ritmo frenético das pessoas indo e vindo. Espantava-se com o barulho ensurdecedor das sirenes,
dos automóveis, as pessoas falando em voz alta. De repente o índio falou:
- Ouço um grilo...
O amigo espantado retrucou:
- Impossível ouvir um inseto tão pequeno nessa confusão!
O índio insistiu que ouvia o cantar de um grilo.
Tomando o seu amigo pela mão, levou-o até um canteiro de plantas.
Afastando as folhas, apontou para o pequeno inseto.
- Como?
- Perguntou o amigo, ainda sem crer.
O índio pediu-lhe algumas moedas, e então as jogou na calçada.
Quando elas caíram e se ouviu o tilintar do metal, muita gente se voltou:
- Escutei o grilo porque o meu ouvido está acostumado a ouvi-los, anunciando o entardecer.
As pessoas aqui ouvem o dinheiro caindo no chão porque é isso que importa para eles.
- A gente ouve o que está acostumado a ouvir. Ouvir também é uma questão de hábito.
Precisa ter o coração voltado ao que ouve, e assim a atenção do ouvido fica mais sensível.
Estas pessoas vivem num mundo onde o que vale é o tilintar das moedas no chão.
A vida impõe que sejam muitas vezes duros e acabam desacreditando.
A voz de Deus não é ouvida senão por aqueles que tem o coração atento, acredita que Ele fala.
A alma inquieta não permite perceber o Divino, e está em tudo o tempo todo.
Treinamos os nossos sentidos para reagir apenas aos impulsos da sobrevivência,
mas há realidades que só se percebem com o espírito.
Aqueles que aquietam o coração e se deixam tocar pelo Eterno, escutam o sussurro de DEUS.
Fazemos nossas orações não para sermos ouvidos por Deus,
pois Ele sempre ouve, devemos rezar para que nós possamos ouvir
Deus falar a nós sobre o que lhe falamos na oração!
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